Dominância Parcial e Codominância

Dominância parcial

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Atenção! A dominância completa de um alelo sobre outro não é um fenômeno universal. Em alguns casos, o fenótipo que se observa no heterozigoto é diferente do fenótipo dos parentais, apresentando características intermediárias entre os homozigotos dominante e recessivo. Quando os alelos comportam-se desta maneira diz-se que ocorre dominância parcial, incompleta ou semi-dominância. Um exemplo é a cor das pétalas das flores de Mirabilis jalapa. Quando linhagens puras de pétalas vermelhas são cruzadas com linhagens puras de pétalas brancas, a progênie em F1 apresenta pétalas rosas. Auto-cruzamento de F1 gera plantas com pétalas vermelhas, rosas e brancas na razão fenotípica 1:2:1 que corresponde à razão genotípica de 1:2:1.

Nas plantas com flores vermelhas (homozigotas) os dois alelos presentes são funcionais e codificam uma enzima que participa da via metabólica para produção do pigmento vermelho. Nas plantas com flores brancas (homozigotas) ambos alelos estão alterados (sofreram mutação) e, em consequência disto, estão inativos não produzindo o pigmento. O resultando são pétalas brancas. No heterozigoto apenas um alelo está funcional, de sorte que a quantidade de pigmento produzida é inferior a dos homozigotos com dois alelos funcionais, resultando em plantas com pétalas róseas.

dominancia parcial

Dominância incompleta ocorre quando a característica analisada pode ser medida numa escala contínua, como por exemplo, quantidade de enzima produzida, altura, peso, etc., diferente de uma condição discreta, tudo ou nada, como, por exemplo, sementes lisas ou rugosas, verdes ou amarelas.

 

Codominância

Um outro caso de ausência de dominância completa é o de codominância. Neste caso, o fenótipo do heterozigoto não se encontra em algum ponto na faixa entre os dois fenótipos parentais, como no exemplo de dominância parcial. Na codominância, os dois alelos são funcionais e expressam-se simultaneamente. Um excelente exemplo deste fenômeno é o caso do grupo sanguíneo ABO no ser humano. O sistema ABO foi descoberto em 1900 por Karl Landsteiner. Na população existem quatro tipos de fenótipos (A, B, AB e O), os quais dependem da ação de três alelos: A, B, e O.

Como é determinado o tipo sanguíneo?

O tipo sanguíneo é determinado pelos tipos de  polissacarídeos (polímeros de açúcar) presentes na superfície das células do sangue (eritrócitos ou hemáceas). Os açúcares terminais destes polissacarídeos apresentam uma pequena diferença na população, caracterizando os dois tipos  de polissacarídeos: A e B. Ambos são produzidos a partir de uma substância precursora (H) a qual é modificada pela ação de enzimas específicas (galactosiltransferases).

Estas transferases são codificadas no gene I o qual apresenta três alelos:  IA, IB,  IO  . O alelo IA codifica uma enzima que transfere N-acetilgalactosamina para a estrutura H. O alelo IB codifica uma enzima que transfere galactose para a estrutura H. Por outro lado, o alelo IO codifica uma proteína não funcional, de sorte que a estrutura H não é modificada.

sistema abo

A combinação dos três alelos existentes na população (IA , IB e  IO)  determina os fenótipos A, B, AB e O. Indivíduos do grupo sangüíneo AB os quais carregam os alelos IA e IB, sintetizam os dois tipos funcionais da enzima de sorte que possuem eritrócitos de dois tipos. Este fenômeno caracteriza a codominância. Por outro lado,  o alelo IO é recessivo aos alelos IA e IB, que modificam a substância H.

As estruturas A ou B, quando expostas na superfície dos eritrócitos funcionam como antígenos. Antígenos são substâncias estranhas ao organismo, que induzem o sistema imune à produzir anticorpos. Os anticorpos são proteínas que se ligam aos antígenos inativando-os e/ou destruindo as células que os apresentam.

Indivíduos tipo A produzem anticorpos contra indivíduos tipo B (anti-B) e indivíduos tipo B, produzem anticorpos contra A (anti-A). Indivíduos tipo O, que não produzem nem antígeno A nem antígeno B, produzem anticorpos anti-A e anti-B. Indivíduos tipo AB, que produzem os dois tipos de antígenos, não produzem anti-A nem anti-B.

Nas transfusões de sangue é necessário considerar os antígenos e anticorpos para evitar que se agreguem e destruam as células. Indivíduos com sangue tipo A produzirão anticorpos anti-B e, portanto, não podem receber sangue nem de indivíduos B, nem de AB. Indivíduos com sangue tipo B produzirão anticorpos anti-A e, portanto, não podem receber sangue  de indivíduos A, nem de AB.

E os indivíduos com sangue tipo O?  Como não possuem antígenos nem A nem B, produzirão anticorpos antiA e anti-B. Portanto só podem receber transfusão de indivíduos tipo O. Em contrapartida não provocarão aglutinação em indivíduos de outro tipo sanguíneo. São, portanto,  doadores universais.  Indivíduos AB só podem doar sangue para indivíduos AB mas são receptores universais uma vez que não sintetizam antiA nem antiB.

Tipos sangüíneos ABO
Tipo Sangüíneo ( antígeno) Anticorpos  (no soro) Genótipo
O Anti-A e Anti-B IOIO
A Anti-B IAIA ou IAIO
B Anti-A IBIB ou IBIO
AB nenhum IAIB

O sistema ABO é um sistema de múltiplos alelos, ou seja, na população existem mais de dois tipos de alelos para o mesmo locus gênico (local do cromossomo onde se encontra um determinado gene). Os alelos IA e IB são dominantes sobre o alelo IO, mas codominantes entre si. Muitos outros exemplos de múltiplo alelismo existem na natureza. Na verdade, o alelismo múltiplo é a regra e não a exceção. Tais situações de múltiplos alelos na população são descritas como polimorfismo.

A SEGUIR: OS GENES ENCONTRAM-SE NOS CROMOSSOMOS

Veja um pouco mais sobre o Sistema ABO

Em Palomar.edu, um pouco mais sobre o assunto.